Marker

08 set 2012 - 27 out 2012

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Marker é o início de uma série de exposições coletivas sobre branding disfuncional e arte contaminada, iniciando com obras e instalações de Felipe Yung (Flip), Emerson Pingarilho, Alberto Monteiro, Sesper, Fabiano Rodrigues e Luciana Araujo. O ponto de partida do projeto é o próprio “sistema operacional” do mundo hoje, onde a face mais visível das forças que movem a sociedade são as marcas.
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Em paralelo às suas produções de atelier, nas duas últimas décadas esses artistas desenvolveram marcas para dar vazão a projetos pessoais, ligados principalmente à música, moda, skate e histórias em quadrinhos. Artistas que sabem fazer branding para atingir objetivos expressivos e públicos específicos, muitas vezes em projetos inviáveis comercialmente, ao contrário das lógicas de branding corporativo. Esse envolvimento particular com branding também transparece na produção desses artistas voltada para galerias e museus, tanto pela reconfiguração do vocabulário visual da sociedade de consumo, quanto pela apropriação de suas técnicas de reprodução e de disseminação.
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Felipe Yung (Flip) apresenta uma nova configuração e estado da obra 33 Fantasmas, sua versão para esculturas populares japonesas exposta no início do ano no Mube, semi submersas no lago artificial do museu. Em Marker, as esculturas estão dispostas como produtos, evidenciando a repetição de formas e trazendo musgos e desgastes da água. “Eu sempre colecionei estátuas, esculturas, bonecos, coisas japonesas em geral, principalmente, os darumas, os nekos (gatos) e os tanukis, (guaxinin). Nesse trabalho, transformei-os em fantasmas. E 33 é a minha idade. Cada ano que passa é como se fosse um fantasma que me persegue.” – Flip
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Emerson Pingarilho, aproveita Marker para amplificar as relações entre branding e propaganda ideológica já existentes na sua obra. Com um grande cartaz colado sobre a parede da galeria, o artista passa uma série de instruções e detalhamentos que, fora da armação gráfica proposta, seriam claramente antagônicos. Em conjunto, mostra serigrafias de tiragem única sobre tecido com formas geométricas que remetem tanto a logomarcas, quanto a ícones sagrados. O artista conta sobre o trabalho: “"As imagens do mundo, todas elas, tem o mesmo valor, elas pairam na imaginação, elas transpõem a força do irracional, do ilógico e sua condição no mundo, por isso é necessário fazê-las explodir nos olhos do expectador, quando elas tem, dentro de si um enigma, nas mãos do artista uma Enigmagem, são camuflagens dentro de camuflagens. Existe também a idéia numérica de apresentar imagens como tábuas em codex. As Criptografias são Metagrafias, formas gráficas autoconscientes e transbordantes de significados.”
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Marker traz uma seleção de 26 obras da série conhecida como “Most”, de Alberto Monteiro. Nessas pinturas sobre papel no formato A3, produzidas ao longo dos últimos 10 anos, o artista usa como base a composição de capa de revista, com título/logo (no caso, Most), número da edição, modelo, manchete, etc. Nesse contexto, talvez o mais eficaz para lidar com sua iconografia, coexistem musas voluptuosas e textos abstratos ou codificados, entre outros elementos recorrentes que, mesmo em um molde tão familiar, se comportam de maneira imprevisível.
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Em sua instalação, Sesper lida com referências específicas que já permeiam as massas de cultura pop e underground trituradas em suas obras, mas que até então não tiveram tamanho protagonismo. Misturando vídeo, áudio e colagens, o artista apresenta sua versão para a “cabine erótica”, esse equipamento quase obsoleto que ainda pode ser encontrado em algumas sexshops. O branding da indústria pornográfica de Los Angeles nos anos 80, assim como sua trilha sonora, é uma referência que o artista associa a marcas de skate do mesmo período e reconfigura em seu trabalho, expondo parte de sua formação cultural e visão de mundo. Em frente as cabines, mostra três colagens de diferentes fases da sua produção, todas diretamente ligadas às idéias exploradas na nova instalação. Em paralelo, lança uma série limitada de fitas VHS de sua produtora “Repses”, inventada para a exposição.
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Fabiano Rodrigues exibe um autoretrato inédito, em cópia única, trazendo uma manobra de skate realizada no entorno do Auditório Ibirapuera, a emblemática construção projetada por Oscar Niemeyer. Em conjunto, mostra sua colagem através de uma prancha (shape) de skate assinada e limitada, produzida em uma colaboração entre a galeria LOGO e a marca de skate Agacê. No universo do skate, o shape assinado é chamado de “pro model” e é tratado como um marco na carreira do skatista profissional. Fabiano, em seu tempo atuando como skatista profissional, já assinou pro models e até criou marcas de skate, para depois se afastar dessa carreira em busca de possibilidades mais alinhadas com suas intenções criativas. Atualmente encontrou na arte contemporânea uma plataforma para se expressar, inclusive através de suas manobras de skate, e ironicamente volta a ter um pro model de skate para usar, em uma situação historicamente inédita.
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Luciana Araujo apresenta uma instalação com 59 telas/matrizes de serigrafia que foram originalmente usadas nas estampas da sua marca independente de camisetas Rock Chick, agrupadas e fixadas na parede como telas de pintura. O trabalho explora as relações de transferência de imagem e de significado de seus desenhos que vão de camisetas para obras de arte, e vice-versa, através da estética da estampa serigrafada e de seu processo técnico. A instalação de Luciana é pensada de forma modular, sugerindo também um olhar para cada uma de suas partes, revelando desenhos e composições que permeiam a carreira e estilo de vida da artista.
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Marker
Felipe Yung (Flip), Emerson Pingarilho, Alberto Monteiro, Sesper, Fabiano Rodrigues e Luciana Araujo
Visitação de 8 de setembro a 27 de outubro
de terça a sábado, das 14h às 19h
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Rua Artur de Azevedo, 401
São Paulo – SP
tel (11) 3062 2381
www.galerialogo.com
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