Perturbo

30 jul 2011 - 10 set 2011

A galeria de arte contemporânea LOGO inicia suas atividades com a exposição coletiva Perturbo, trazendo trabalhos dos artistas Alexandre Cruz (Sesper), Fabio Zimbres e Walter Nomura (Tinho). Três nomes com trajetórias sólidas no underground brasileiro, pioneiros e influentes em cenários como o rock independente, o graffiti/street art e as histórias em quadrinhos experimentais, mas que mantiveram em paralelo produções artísticas distintas, no ateliê, pensadas para existir em espaços expositivos.

Na exposição Perturbo, através de uma seleção de obras novas, antigas e realizadas in loco, chama atenção uma atitude expressiva incontornável para apreciar uma das faces mais vibrantes da arte contemporânea. Sesper, Zimbres e Tinho, cada um com suas estratégias e objetivos específicos, lidam com os excessos da vida nas grandes cidades, incluindo seus meios de comunicação e de distração. Para eles, a concentração de mensagens, logomarcas e personagens que disputam nossa atenção pode ser tanto o suporte, sobre o qual passam por cima com a pintura e o desenho, como a matéria prima, que reconfiguram através da colagem. A própria linguagem particular de cada artista, conhecida de outros momentos de suas produções, também é atropelada ou reconstruída nesse processo.

As obras dessa coletiva inaugural são influenciadas pelas técnicas de manipulação digital de imagens e pela cultura sonora do sampler, onde composições são feitas através de trechos de músicas pré-existentes. Mas, nesse caso, as expressões se manifestam de forma física, tangível. Não por acaso, os três artistas compartilham a raiz na produção de fanzines: as notórias revistas independentes feitas com as próprias mãos e fotocopiadas que marcaram os anos 80 e 90. Essa é uma das tantas referências contraculturais dessa exposição, que almeja ainda conexões, antes de tudo visuais, com a revolta punk, a arte POP, o humor non-sense e os movimentos neo expressionistas.

O nome da exposição, Perturbo, surgiu a partir de uma reordenação possível para letras de acrílico e alumínio encontradas em um ferro-velho, originalmente pertencentes ao letreiro da fachada de uma grande loja de eletrodomésticos. Uma composição dos artistas que é nome e logomarca, montada coletivamente na parede da galeria para marcar um começo e uma intenção.